quinta-feira, 29 de março de 2018

Trago dentro do meu coração,
Como num cofre que se não pode fechar de cheio,
Todos os lugares onde estive,
Todos os portos a que cheguei"
Fernando Pessoa

sábado, 24 de março de 2018

De mar a mágoa
Vamos levando a vida
Com a ilusão que a terra nos fica à vista
A Ana adormeceu
E  Ulisses não tem GPS.

quinta-feira, 22 de março de 2018

sábado, 3 de março de 2018

Ser Diretora de Turma é o pior que me pode acontecer. Não tenho perfil, vivo os problemas, não consigo desligar a máquina, vivo numa angústia permanente, a ansiedade torna-me gordurosa. Infelizmente tenho sido DT mais do que era suposto. Os malfadados contratados não conhecem a casa, nem como funciona, não tem sentimento de pertença mas pedem-lhe para a representar e defendê-la com alma ou então cai-lhe tudo em cima. O DT é um catalisador ambulante, tal qual um íman, os seus pares  procuram-no para  avidamente fazer queixa do teu Zé e do teu João e outra vez do teu Romão. Tens de chamar a mãe, tens de fazer isto e aquilo...
Este ano, estou pouquíssimo tempo na escola, só o tempo de um salário mínimo - aleluia - e a verdade é que estou desalmada em relação à escola, por isso decidi tirar partido da minha invisibilidade natural  e passar os intervalos atrás do armário. Devo estar a conseguir, pois quando, a semana passada me desloquei para a zona cosmopolita da sala dos professores, duas colegas me deram as boas-vindas e levaram com um "Mas eu estou cá desde setembro"

Quando entro na sala dos professores, deslizo pela mini-esplanada  e pela zona dos sofás onde membros do meu Conselho de Turma estão numa sempre animada cavaqueira. Escapo ilesa aos "Ainda bem que te vejo..." e rapidamente me refugio nas trincheiras atrás do armário, após atravessar uma planta viçosa, abençoada és tu por me camuflar tão bem.

A verdade é que atrás do armário,que faz de divisória, não se está nada mal. Há um conjunto de mesas (e os computadores), onde posso pousar a pasta e fingir que sou uma profissional muito diligente. Às vezes divido o meu bunker com coleguinhas porreiras, as mais fixes, devo dizer que procuram como eu paz, as vezes sorvo palavras de colegas mais velhos e ouço as aulas abertas deste nobre Ismael, que conversa comigo em francês ou que cita Bocage ou Camões, que lê a biografia de Napoleão e me faz sentir tão ignorante. Os indesejáveis raramente ousam penetrar na zona light. Sim, atrás do armário não se está mal e, pelos tiroteios que tem havido por aí nas escolas, penso que a migração é permanente....

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Nada tão silencioso como o tempo
no interior do corpo. Porque ele passa
com um rumor nas pedras que nos cobrem,
e pelo sonoro desalinho de algumas árvores
que são os nossos cabelos imaginários.
Até na íris dos olhos o tempo
faz estalar faíscas de luz breve.
Só no interior sem nome do nosso corpo
ou esfera húmida de algum astro
ignoto, numa órbita apartada,
o tempo caladamente persegue
o sangue que se esvai sem som.
Entre o princípio e o fim vem corroer
as vísceras, que ocultamos como a Terra.
Trilam os lábios nossos, à semelhança
das musicais manhãs dos pássaros.
Mesmo os ouvidos cantam até à noite
ouvindo o amor de cada dia.
A pele escorre pelo corpo, com o seu correr
de água, e as lágrimas da angústia
são estridentes quando buscam o eco.
Mas nós sentimos dentro do coração que somos
filhos dilectos do tempo e que, se hoje amamos,
foi depois de termos amado ontem.
O tempo é silencioso e enigmático
imerso no denso calor do ventre.
Guardado no silêncio mais espesso,
o tempo faz e desfaz a vida.
Fiama Hasse Pais Brandão
in Cenas Vivas

domingo, 11 de fevereiro de 2018

Do pó voltarás, de mil maneiras imaginei esse dia, do pó voltarás e nascerás de novo deste quadrado de luz, de cabeça erguida, do pó voltarás, poema aberto, reconstruído, com vontade de pertencer às alma dos sonhadores, e serás de quem te souber reanimar e dar-te outras tantas vidas e  derreter-se em lágrimas, fundir-se no coração As palavras não morrem para sempre, apenas adormecem até que, pela vontade, num dia de chuva, acordes o poema e lhe dês uma nova vida. Do pó voltarás ... tão fácil como ressuscitar um poema...

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018




O problema é que no teu poema da vida, não há espaço para mim...

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

domingo, 28 de janeiro de 2018

我的中文不好!我学习汉语有些年 但是 我说一点点。我知道我不好的学生。越来越 我希望我会进步。这年,我和一个朋友喜欢去北京。
Tenho que dizer não a Maputo! Não consegui encontrar ninguém com quem ir. Very sad....

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Mnemónica para memorizar os 12 livros de profetas menores: (não é por ordem)


AMO  JJ  SONH  MAZ  (devia ser MAS porque maz não existe, maz....)

Amós, Malaquias, Oseias, etc.....

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Hoje, traduzir, traduzir, traduzir.... Como é difícil quando possuímos tão poucos conhecimentos da língua. Há que confiar....

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Hoje é um dia triste. Sou considerada uma terrorista e não sabia. De facto, a verdade é a maior arma, uma bomba....

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Observo por vezes esses casais que não conseguem ter senão conversas de superfície e vem-me a saudade de ti,  das muitas conversas de profundidade que íamos ter. Essa conversa fácil, a mesma linguagem, esta cumplicidade que leva por exemplo os meus pais a intermináveis conversas pela madrugada fora, alheios às pessoas que desesperadamente anseiam pelo silêncio porque querem dormir. Mas que tanto têm eles para se dizer que não possa esperar para o dia seguinte?