O trabalho de correção é um trabalho silencioso. Não sacode tapetes, não desvia cadeiras,não varre, não esfrega o chão desalmadamente até à nedula, não arrasta mesas, não revira a casa toda, não limpa, antes pelo contrário, suja. Suja muito de riscos, riscos contínuos, tracejados, pontos de interrogação, muuuiiitas cruzes, barras duplas diagonais. Borrata. Polui.
Não faz suar, é verdade mas cansa. Derrete neurónios numa correria desenfreada pelas estradas de frases, de palavras, caracteres que se é obrigado a percorrer. Enfrenta-se corajosamente as construções frásicas tenebrosas, a coesão frásica e interfrásica incorreta ou inexistente, a ausência de conetores, as repetições de ideias ou a a ausência de progressão temática que nos massacram o cérebro. E ainda perdemos tempo com explicações na margem, observações, exemplos corretivos.
No fim de tudo, a cozinha lavada deixará um perfume fresco, o cozinhado saboroso será muito elogiado, a roupa passada fará sorrir o dono da casa...
-A tia, onde está a tia? Porque não sai do quarto?
- A tia está a dormir.
Mata-Borrão
As palavras são as minhas asas e pela escrita reinvento o meu mundo...
Sexta-feira, 16 de Março de 2012
Terça-feira, 13 de Março de 2012
Não faz mal.
Voar é uma dádiva da poesia.
Um verso arde na brancura aérea do papel,
toma balanço,
não resiste.
Solta-se-lhe
o animal alado.
Voa sobre as casas,
sobre as ruas,
sobre os homens que passam,
procura um pássaro
para acasalar.
Sílaba a sílaba
o verso voa.
E se o procurarmos? Que não se desespere, pois nunca o iremos encontrar. Algum sentimento o terá deixado pousar, partido com ele. Estará o verso connosco? Provavelmente apenas a parte que nos coube. Aquietemo-nos. Amainemo-nos esse desejo de o prendermos.
Não é justo um pássaro
onde ele não pode voar.
Eduardo White
Voar é uma dádiva da poesia.
Um verso arde na brancura aérea do papel,
toma balanço,
não resiste.
Solta-se-lhe
o animal alado.
Voa sobre as casas,
sobre as ruas,
sobre os homens que passam,
procura um pássaro
para acasalar.
Sílaba a sílaba
o verso voa.
E se o procurarmos? Que não se desespere, pois nunca o iremos encontrar. Algum sentimento o terá deixado pousar, partido com ele. Estará o verso connosco? Provavelmente apenas a parte que nos coube. Aquietemo-nos. Amainemo-nos esse desejo de o prendermos.
Não é justo um pássaro
onde ele não pode voar.
Eduardo White
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Poesia
Quarta-feira, 7 de Março de 2012
Terça-feira, 6 de Março de 2012
Vesti-me de triste
como uma tertúlia intimista
que fala de saudades
e de uma espera adiada
que nem o açor alcançou
E comem-se uns aos outros
Os sonhos grandes comem os pequenos
Despi-me de razões
Guardo só o meu castiçal giratório
um caleidoscópio de sombras chinesas
que me percorre e refrigera
Quando a cera derreteu
Ícaro morreu
como uma tertúlia intimista
que fala de saudades
e de uma espera adiada
que nem o açor alcançou
E comem-se uns aos outros
Os sonhos grandes comem os pequenos
Despi-me de razões
Guardo só o meu castiçal giratório
um caleidoscópio de sombras chinesas
que me percorre e refrigera
Quando a cera derreteu
Ícaro morreu
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minha poesia
Sexta-feira, 2 de Março de 2012
Quinta-feira, 23 de Fevereiro de 2012
Recomeça...
Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.
E, nunca saciado,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças…
Miguel Torga
(1907-1995)
Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.
E, nunca saciado,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças…
Miguel Torga
(1907-1995)
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Poesia
Domingo, 19 de Fevereiro de 2012
Quinta-feira, 16 de Fevereiro de 2012
Tens de parar com estes suspiros de seis metros de profundidade. Tens de parar. Não combina mais contigo. Tens de parar de alimentar este ninho de ratos na tua cabeça. Sabes como são. Proliferam. Só pedem para procriar. Um espirro. Uma comunidade. Uma metrópole. Uma nação. Uma praga na tua vida. Uma praga a tua vida. Dizem que os ratos têm medo da água. Bebe água. Muita água. Há que afogá-los. Tens um dia de verão no rosto, nos olhos, nas palavras, nos sonhos que construíste no céu. Deixa-os cair. Deixa-os vir cá à terra. Vamos vesti-los, vivê-los, cultivá-los, regar cada metro quadrado de sonho.
Tens de parar com estes suspiros de ficção. Que sejam suspiros de cansaço, de tristeza, de raiva, arrependimento, desalento... Que sejam suspiros de vida....da vida....da VIDA.....viu?
Tens de parar com estes suspiros de ficção. Que sejam suspiros de cansaço, de tristeza, de raiva, arrependimento, desalento... Que sejam suspiros de vida....da vida....da VIDA.....viu?
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post de amizade
Sexta-feira, 10 de Fevereiro de 2012
Quinta-feira, 9 de Fevereiro de 2012
Segunda-feira, 6 de Fevereiro de 2012
A mensagem é nunca desistir. Quando a frustração aperta, mais vale sair para respirar outro ar, para libertar o espírito. Porque a nossa mente é como os pássaros que estão numa gaiola e que ficam com tanto medo da liberdade que, quando são libertados, voltam para trás. Voltam, não porque não gostam de liberdade, mas sim porque já não se lembram de como é bom ser livre. A nossa mente é assim, Quando está muito tempo num espaço fechado, perde a noção de liberdade, da sua liberdade.
E quanto a nós, para construirmos alguma coisa que valha a pena, é necessário ter uma mente livre.
E quanto a nós, para construirmos alguma coisa que valha a pena, é necessário ter uma mente livre.
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reflexões
Sábado, 4 de Fevereiro de 2012
Seria o amor português?
Muitas vezes te esperei, perdi a conta,
longas manhãs te esperei tremendo
no patamar dos olhos. Que me importa
que batam à porta, façam chegar
jornais, ou cartas, de amizade um pouco
— tanto pó sobre os móveis tua ausência.
Se não és tu, que me pode importar?
Alguém bate, insiste através da madeira,
que me importa que batam à porta,
a solidão é uma espinha
insidiosamente alojada na garganta.
Um pássaro morto no jardim com neve.
Nada me importa; mas tu enfim me importas.
Importa, por exemplo, no sedoso
cabelo poisar estes lábios aflitos.
Por exemplo: destruir o silêncio.
Abrir certas eclusas, chover em certos campos.
Importa saber da importância
que há na simplicidade final do amor.
Comunicar esse amor. Fertilizá-lo.
«Que me importa que batam à porta...»
Sair de trás da própria porta, buscar
no amor a reconciliação com o mundo.
Longas manhãs te esperei, perdi a conta.
Ainda bem que esperei longas manhãs
e lhes perdi a conta, pois é como se
no dia em que eu abrir a porta
do teu amor tudo seja novo,
um homem uma mulher juntos pelas formosas
inexplicáveis circunstâncias da vida.
Que me importa, agora que me importas,
que batam, se não és tu, à porta?
Fernando Assis Pacheco, in “A Musa Irregular”
longas manhãs te esperei tremendo
no patamar dos olhos. Que me importa
que batam à porta, façam chegar
jornais, ou cartas, de amizade um pouco
— tanto pó sobre os móveis tua ausência.
Se não és tu, que me pode importar?
Alguém bate, insiste através da madeira,
que me importa que batam à porta,
a solidão é uma espinha
insidiosamente alojada na garganta.
Um pássaro morto no jardim com neve.
Nada me importa; mas tu enfim me importas.
Importa, por exemplo, no sedoso
cabelo poisar estes lábios aflitos.
Por exemplo: destruir o silêncio.
Abrir certas eclusas, chover em certos campos.
Importa saber da importância
que há na simplicidade final do amor.
Comunicar esse amor. Fertilizá-lo.
«Que me importa que batam à porta...»
Sair de trás da própria porta, buscar
no amor a reconciliação com o mundo.
Longas manhãs te esperei, perdi a conta.
Ainda bem que esperei longas manhãs
e lhes perdi a conta, pois é como se
no dia em que eu abrir a porta
do teu amor tudo seja novo,
um homem uma mulher juntos pelas formosas
inexplicáveis circunstâncias da vida.
Que me importa, agora que me importas,
que batam, se não és tu, à porta?
Fernando Assis Pacheco, in “A Musa Irregular”
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Poesia
Segunda-feira, 30 de Janeiro de 2012
Terça-feira, 24 de Janeiro de 2012
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